quarta-feira, fevereiro 23, 2011

No more pills

"Se você me amasse estaria aqui. Se você me ama venha procurar por mim. Decida-se." Odile conseguiu escrever ainda que suas mãos tremessem.

Ela estava com medo e seu rosto molhado de lágrimas salgadas. Dentro dela chovia torrencialmente enquanto do lado de fora o sol tão iluminadamente brilhante chegava causar certa raiva. Raiva por todos estarem tão brilhantes e felizes, enquanto ela mergulhava na lama.

"Decida-se." era a frase que retumbava em sua mente. Odile sempre fugira de decisões. Sua mãe dominadora tornara-a uma eterna criança, ela não sabia decidir sozinha. E depois viera o namorado. Aquele pedaço de mau caminho: lindo, inteligente, divertido e carinhoso. Mas cheio de vícios. Tirou-a da mãe e levou-a para conhecer o mundo, cada buraco sujo dele.

E então ela viu todos os seus defeitos, viu o que sua vida seria, viu que qualquer sentimento que ele tivesse por ela não seria - jamais - maior que o desejo insaciável dele por aquela vida de sexo, álcool e drogas. Pobre Odile. Descobriu que ele era o mau caminho inteiro, levando-a direto para o inferno.

Então foi difícil chegar a decisão de que ela precisaria decidir alguma coisa, mas ela enfim decidira-se por decidir. E sua decisão final foi de que não poderia ser daquele jeito.

Ela o amava, sem dúvidas, mas no fundo, após os 28 anos de sua infância ela amadureceu um pouco. Ou pelo tornou-se um pouco mais egoísta. Ela iria embora, embora do quartinho sujo onde moravam. Ficaria bem longe de toda aquela podridão, das seringas, das garrafas de cerveja, das pílulas e comprimidos, das orgias loucas. De todo aquele inferninho do qual fazia parte.

Prendeu os cabelos bem no alto da cabeça, colocou um casaco, mesmo com o sol lá fora sentia frio. Passara tempo demais dentro daquele apartamento alimentando vícios que não eram seus. Deixou a nota grudada na geladeira, sem dúvida ele olharia quando estivesse procurando por mais cervejas. Ela ainda não sabia o que faria sem dinheiro, sem emprego, sem família e sem ele. Ai, sem ele não. Sem ele sim. Pense Odile, pense. 


Deu dois passos para fora e então retornou. "Ligue-me  se quando estiver sóbrio." 

2 comentários:

O Nerd Puto disse...

deeesire deeeesire

. pamela moreno santiago disse...

Parabéns pelo Segundo Lugar na 8ª Edição Musical. Vejo você na próxima :D
Beijos
Pamela, avaliadora do Projeto Créativité.